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Primeiro Fórum Bilíngue de 2017 debate antropologia e arte surda

  • Publicado: Sexta, 10 de Março de 2017, 09h15

No dia 7 de março, terça-feira, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) deu início à programação 2017 do Fórum Bilíngue, com o tema “Diálogos entre Antropologia e Arte Surda”. Em novo formato, o evento contou com a participação do antropólogo e artista de teatro surdo Olivier Schetrit, da França, que fez sua pesquisa de doutorado sobre identidade surda. O primeiro fórum do ano, mais intimista, recebeu principalmente servidores do instituto e alunos no Ensino Médio do Colégio de Aplicação (CAp-INES), que marcaram presença em peso no auditório central.

Pela manhã, dois convidados contaram suas vivências na mesa redonda "Experiências em educação e artes: considerando os modos de fruição e expressão da pessoa surda", com mediação da professora do INES Vanessa Miro. Além de Olivier Schetrit, que falou sobre a questão da identidade e das diferenças culturais que pesquisou no campo da antropologia, Amanda Freitas, educadora de projetos do Museu de Arte do Rio (MAR), apresentou o projeto MAR em Libras, que surgiu a partir da exposição "Por Contato", primeira experiência do museu com a cultura surda, e deu origem a um sarau realizado em língua brasileira de sinais. "O MAR já nasceu inclusivo, e aos poucos estamos estreitando esse laço com a comunidade surda. Passamos a perguntar o que o surdo gostaria de ver no museu, em vez de pensarmos sozinhos na programação e só torná-la acessível", disse Amanda. O MAR em Libras oferece visitas abertas com intérpretes da língua e já contou com a colaboração de professores surdos do INES.

À tarde, o Fórum recebeu a professora do INES Regina Campello num debate sobre "Artistas surdos invisíveis que fazem história", com uma mostra de trabalhos e apresentações do também professor Ricardo Boaretto e da escritora Lygia Neves. Boaretto mostrou como é o processo de tradução de músicas em língua de sinais: "Não é um trabalho fácil, requer um grupo e o auxílio de um professor ouvinte. Tentamos tirar um pouco essa marca de seguir a literalidade do português e passamos a usar a linguagem visual vernacular, que trabalha com a expressão corporal, a mímica e a poesia de forma teatral".

A professora e escritora Lygia Neves, ex-aluna do INES, contou como é o processo de criação para escrever seus contos eróticos. Ly, como é chamada, gosta de romper com tradicionalismos, adaptar contos de fadas e inverter papeis de gênero. "Algumas pessoas disseram que minha linguagem era pesada, mas há vários autores que fazem isso. Se um ouvinte pode escrever assim, eu também posso. Eu devoro livros. E quero desconstruir as histórias e mostrar a realidade social", afirmou ela, em libras.

Ramon Linhares, responsável pela Divisão de Estudos e Pesquisas do INES, que organiza o Fórum, fechou o debate com pressupostos gerais para se fazer estudos surdos no Brasil, com foco nas artes. Logo após, Olivier Schetrit encerrou o evento com a conferência "Antropologia surda: estudos sobre a pessoa surda", sob a mediação do professor do INES Weslei Rocha. Entre as abordagens sobre cultura surda, o pesquisador francês defendeu que as pessoas surdas têm uma identidade própria: "Há um modo de ser surdo, não médico ou biológico, mas comportamental, aparente. A maneira com que os surdos sentem, absorvem e se expressam é diferente da de um ouvinte. São mais objetivos e diretos, por exemplo".

No entanto, Schetrit frisou que o "ser surdo" também se aglutina a outras identificações - raciais, religiosas, de gênero etc: "O conceito de ser surdo não está desvinculado a outras possibilidades de associação e identidade", explicou ele, considerado o primeiro antropólogo surdo da França. Schetrit ainda respondeu a perguntas da plateia, como fizeram os outros palestrantes.

Sobre o Fórum Bilíngue

O INES realiza em sua sede o Fórum Bilíngue em encontros periódicos durante o ano. São oferecidas, em um dia, atividades voltadas para o debate e a apresentação de experiências em torno de um eixo temático, reunindo especialistas, educadores, técnicos, pessoas surdas e seus familiares para refletirem e discutirem sobre assuntos relacionados à área da educação e da surdez e temas tangentes. O tema central no ano de 2017 será: "Uma escola, duas línguas e muitas culturas". Este ano, serão realizados, ao todo, cinco fóruns, todos com temas relacionados à escola bilíngue. Para mais informações, entre em contato com a Divisão de Estudos e Pesquisas (Diesp), pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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