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Livro sobre letramento visual conta com participação de professores do INES

  • Publicado: Quarta, 26 de Julho de 2017, 19h38

Os professores do Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) Cristiane Taveira e Alexandre Rosado tiveram um artigo publicado em livro lançado em maio. "Letramento Visual e Surdez" foi organizado pela professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Tatiana Lebedeff e apresenta trabalhos em diferentes áreas do conhecimento que abordam estratégias pedagógicas baseadas na experiência visual de estudantes surdos.

Em 2014, Tatiana ministrou uma palestra no INES sobre a importância do letramento visual nas práticas pedagógicas com surdos e foi convidada por Tiago Ribeiro, professor do instituto e um dos organizadores da coleção Educação e Surdez da Editora Wak, para escrever um livro sobre o tema. A partir do convite, procurou outros pesquisadores do tema para compor o livro, inclusive Hansel Bauman, arquiteto da Universidade de Gallaudet que colaborou na criação do conceito de DeafSpace, uma filosofia arquitetônica que prioriza o engajamento multissensorial na construção de ambientes. "Para mim era questão de honra tê-lo no livro. É o primeiro texto dele publicado em português e é maravilhoso", diz a organizadora da obra.

Além da exposição de experiências de educadores e propostas de práticas pedagógicas na educação de surdos, o livro conta com imagens que ilustram atividades em sala de aula. "Às vezes as pessoas reclamam da falta de artefatos tecnológicos e materiais para desenvolver uma aula. Alguns capítulos mostram que é possível pensar em experiência visual e letramento visual para além do uso de computador, projetor e vídeo", afirma Tatiana.

Na pesquisa que resultou em um dos capítulos do livro, Cristiane e Alexandre se debruçaram em didáticas produzidas por surdos: "Importou-nos abrir mão da disputa entre línguas (libras e português) e observarmos as misturas entre imagem e texto, na atuação dos surdos quando dirigem a sua própria prática pedagógica", conta Cristiane. Segundo a professora, ser letrado significa, para o surdo, ter acesso a uma sala de aula bilíngue, a didáticas e materiais de comunicação mais visuais, ao uso da língua de sinais e ao texto verbal lido de forma imagética.

Para Cristiane e Alexandre, a escola deve romper com a ideia tradicional de sala de aula tal qual a conhecemos: "Os surdos precisam se empoderar de habilidades e técnicas de leitura de imagens e de 'mixagens', ou seja, de misturas de diversas linguagens: cinema, teatro, fotografia, informática", defende Cristiane, ressaltando que a diminuição da centralidade da escrita não significa abrir mão da língua portuguesa, mas ceder mais espaço à "percepção sensorial, ao corpo, à sinalidade e ao visual" dentro de uma perspectiva bilíngue.

Assim como os demais autores do livro, Tatiana Lebedeff entende que não basta trabalhar textos linearmente, substituir uma língua pela outra ou apenas garantir a presença da libras na escola para dar conta do processo de ensino-aprendizagem dos alunos surdos. "É importante refletir e tensionar sobre a experiência visual desses alunos e como ela é fundamental para pensarmos nossas práticas pedagógicas a partir do letramento visual", conclui a professora, que já planeja uma nova visita ao INES em agosto deste ano.

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