Atividade dialogada como motivadora para o ensino de ligações químicas para alunos surdos

Luis Gustavo Mago Dionysio, Renata Barbosa Dionysio

Resumo


O conteúdo de Química do Ensino Médio apresenta um elevado grau de abstração, já que o estudante deve criar modelos mentais que deem conta das representações explanadas pelos professores. Como ainda há escassez de sinais que contemplem vários conceitos de Química, a criação desses modelos mentais pelo aluno surdo torna-se uma tarefa complicada para grande parte dos discentes. O conteúdo de ligações químicas é fundamental para o entendimento de vários conceitos, sendo assim merece atenção especial na hora do planejamento das aulas. Para explorar de forma mais visual a atuação de ligações químicas, mais especificamente ligações intermoleculares, executou-se uma atividade prática que utilizou como único reagente a substância água. Em um primeiro momento foi perguntado para a turma se eles já tinham observado uma gota de água sobre uma superfície e também se já tinham enchido um copo com água até o seu limite máximo; todos responderam que sim. Nesse momento cada estudante foi convidado a pingar uma gota de água sobre sua carteira com um conta-gotas e explorá-la; foi pedido, por exemplo, que eles a tocassem com a ponta de uma agulha e observassem sua elasticidade. Em seguida, um aluno foi incumbido de encher um copo com água até seu limite máximo, fazendo com que o líquido excedesse a borda sem que a água vazasse para fora. Para finalizar, outro aluno foi selecionado para pingar uma gota de corante na água que de um copo para que a turma observasse o percurso dos pigmentos adicionados – ficou nítido que caminho não foi linear. A partir dessas observações foi proposto que os estudantes elaborassem modelos sobre as ligações existentes entre as moléculas de água, discutindo as propriedades que geram as reaçõesobservadas. A partir dessa atividade, espera-se que os estudantes consigam elaborar modelos microscópicos a partir da observação macroscópica. O uso da água como único reagente facilita a associação entre conceitos químicos e atividades cotidianas e espera-se que eles fiquem instigados a elaborar modelos mentais fora da escola a partir de eventos triviais. Esse tipo de prática leva em conta uma ação na qual o estudante é levado a construir seu conhecimento a partir de conhecimentos prévios, contando com a mediação do professor, diferente da educação bancária, problematizada por Freire (1996), na qual o estudante recebe a informação pronta e imutável. Para Coimbra (2018) esse tipo de atividade é caracterizada como aula dialogada,segundo a qual “educandos e conteúdos ficam mediados pela ação do educador, que mobiliza as ações necessárias para que os educandos desenvolvam seus processos do conhecimento”, ou seja, o educador deixa de ser a única fonte de informação e o estudante deixa de ser mero receptor, tornando-se também protagonista do processo, o que é muito importante principalmente para estudantes surdos.


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Referências


FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

COIMBRA, C. L. A aula expositiva dialogada em uma perspectiva freireana. In: LEAL, E. A.; MIRANDA, G. J.; CASA NOVA, S. P. C. (Orgs.). Revolucionando a sala de aula: como envolver o estudante aplicando as técnicas de metodologias ativas de aprendizagem. São Paulo: Atlas, 2018.




DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.541

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