Composições possíveis: travessias no pluriverso dos encontros com a surdez

Lucila Lima da Silva, Marcia Moraes

Resumo


Que composições são possíveis no encontro com a surdez? Como compor um mundo comum entre surdos e ouvinte? Esse trabalho, resultado de pesquisa de mestrado, apresenta percursos da autora-pesquisadora no encontro com surdos e com o campo da surdez a partir da sua inserção nesse campo como psicóloga e trabalhadora ouvinte. O campo de pesquisa começou no INES mas o extrapolou, passando a ser composto por diversos espaços de encontro com a surdez. Utilizando como base a epistemologia feminista, pensamos modos de pesquisar, escrever e produzir conhecimento. Com Chimamanda Adichie e Josselem Conti, apostamos nas histórias únicas para fazer aparecer singularidades. A metodologia que usamos é operada por meio de narrativas de encontros com a surdez, e assim, a partir dessas histórias, tecemos considerações sobre os discursos que perpassam o campo, a produção de estranhamentos a esses discursos e o deslocamento operado no próprio corpo da pesquisadora-trabalhadora no processo de pesquisar. A pesquisa surge do incômodo da ideia de dois mundos – surdo e ouvinte – segregados, e transcorre na direção de pensar possibilidades de composição nos encontros com a surdez. Para isso, utilizamos conceitos como “comum”, “composição” e “pluriverso”, junto com autores como Bruno Latour e Donna Haraway. Por meio de histórias, contamos como esses conceitos se processam no campo, como nós podemos existir com eles. Entendemos que o mundo comum não existe a priori, é uma construção constante. É preciso fazê-lo com as diferenças, sem apagar em nós nossas marcas e nossas singularidades. O objetivo não é buscar uma igualdade entre surdos e ouvintes, mas afirmar na diferença a possibilidade de composição. A tradução aparece na construção das histórias e se faz pista para pensar posicionamentos no encontro com a diferença. Para isso, seguimos com Vinciane Despret, que pensa a tradução como versão, assume que há escolhas na passagem de uma língua para outra que irão produzir sentidos a partir de e considerando as diferenças. Faz-se necessário torcer os sentidos tanto da língua de origem quanto da língua de chegada, de modo que possamos ir até o outro e trazer o outro até nós. Para além da comunicação, trata-se de criar modos de estar juntos. Refletimos, então, sobre as possibilidades da tradução como travessias, para construir relações com a surdez e com a diferença.


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DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.542

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