A memória de trabalho de escolares surdos do 1º segmento do Ensino Fundamental

Eduarda Larrubia

Resumo


A memória de trabalho é o sistema responsável por coordenar os processos de armazenagem e operação das informações, possibilitando a execução de tarefas cognitivas complexas. A alça fonológica mostra-se essencial no desenvolvimento de linguagem em escolares ouvintes, estando associada à realização de uma série de operações linguísticas, como aprendizagem de novas palavras, produção e compreensão de linguagem. Para os escolares surdos, usuários da língua de sinais, é provável que o esboço visuoespacial exerça papel fundamental para o desenvolvimento da linguagem, uma vez que as línguas de sinais são veiculadas pelo canal visual e utilizam relações espaciais para representar informações. Assim, o presente trabalho pretendeu avaliar a habilidade de memória de trabalho (fonológica e visuoespacial) em escolares surdos que utilizam a Língua Brasileira de Sinais como primeira língua. Participaram da pesquisa 143 escolares, sendo 55 surdos e 88 ouvintes. Devido à ausência de instrumentos normatizados para a população surda no Brasil, foi formado um grupo-controle com crianças ouvintes, pareadas por escolaridade e idade. Esse grupo foi utilizado como parâmetro de referência para o desempenho dos escolares surdos. Como instrumentos de avaliação da memória de trabalho foram utilizados: Dígitos (subteste do WISC-IV) e Blocos de Corsi. Os resultados apontaram para a melhor habilidade dos surdos em memória de trabalho visuoespacial quando comparada à fonológica. Os escolares surdos apresentaram habilidade de armazenamento visuoespacial semelhante à das crianças ouvintes. Na operação visuoespacial, apenas os alunos do 1º ano demonstraram maior dificuldade que os ouvintes. Quanto à alça fonológica, os escolares surdos demonstraram desempenho significativamente inferior ao dos ouvintes para o armazenamento em todos os anos escolares e, para a operação, apenas no 1º e 2º ano. Além disso, foi observada evolução gradual e crescente da habilidade de memória de trabalho ao longo da escolarização, com importante salto qualitativo no 3º ano. Conclui-se que os escolares surdos apresentam boa habilidade de memória de trabalho visuoespacial eapresentando dificuldade para o armazenamento de informações fonológicas.


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DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.544

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