Mães de filhos surdos: trajetórias e reflexões para a Educação de Surdos

Esmeralda Stelling

Resumo


Este artigo expande a palestra realizada em 23 de novembro de 2017, na VIII Semana Pedagógica do Departamento de Ensino Superior do INES, na qual abordei a retrospectiva das minhas trajetórias de mãe de surdo e de educadora de surdos, e dos momentos históricos da educação de surdos. As vivências da mãe e da profissional ocorreram paralela e profundamente interligadas à história da educação de surdos no país, desde o oralismo, passando pela comunicação total, e chegando à atualidade do bilinguismo/educação bilíngue e das políticas públicas da inclusão. Tive como objetivos analisar minhas trajetórias e avaliar em que medida os profissionais da educação e da saúde, as famílias e a comunidade surda modificaram suas concepções sobre a surdez e os surdos em um período de quase cinco décadas. Como resultados, identifiquei que a comunidade surda obteve avanços, percebendo-se como um grupo muito atuante, que ampliou perspectivas sociais e desenvolveu o empoderamento; que os profissionais da educação e da saúde lentamente têm despertado para a cultura surda e a Libras, enquanto as famílias ouvintes ainda são um grupo vulnerável, muito necessitado de informações, esclarecimentos e orientação quanto às alternativas linguísticas e culturais, educacionais e clínicas para os filhos surdos.


Palavras-chave


Família, Pais Ouvintes de Filho Surdo, Orientação Familiar, História da Educação de Surdos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.519

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