Oficina de escolhas profissionais: uma parceria entre jovens surdos, intérpretes e psicólogas

Angela Carneiro, Lucila Silva

Resumo


As oficinas de escolhas profissionais realizadas no INES em 2015 e 2016 fazem parte de um projeto que define que a escolha de um caminho profissional é a construção de um modo de vida. Nosso trabalho tem em seu horizonte ampliar a percepção das conexões do dia a dia dos jovens com a rua, a cidade, a família, o coletivo, a cultura e que produzem efeitos nos seus processos de escolhas. É, também, um espaço para se situar como surdo num meio predominantemente de ouvintes. De que forma isso reverbera em suas vidas? Algumas questões inicialmente nos chegam pelos alunos e pelos professores: É possível ser psicólogo mesmo sendo surdo? ... E ator? Como? Eu quero ser professor porque sei me comunicar... eu quero só trabalhar, detesto estudar... Eu quero ser jogador de basquete… Eu quero fazer Medicina, ou Nutrição, ou ser arquiteta de casas bonitas. Eu quero ir para Paris, um sonho... Eu não sei ainda… O tema da escolha profissional é uma rede que não pode ser reduzido à uma questão de competência individual. É preciso dar visibilidade às conexões com as mudanças da cena contemporânea e do mundo do trabalho, dos efeitos nas produções de subjetividades e nos modos de vida. No caso dos processos de escolhas dos jovens surdos, quais as particularidades e desafios que nos atravessam? O desejo de trabalho é forte por carrear autonomia, independência financeira e inserção social. Outros buscam uma profissão, e a continuação dos estudos é prioridade. Mas um ponto chama a atenção: uma certa relação mágica entre a tomada de uma decisão e automaticamente a materialização de um novo ciclo, sem a percepção de que há um caminho a ser feito e o jovem precisa se implicar nele. Um trabalho que já começou com sua história, mas é preciso continuar e cada vez mais assumir a autoria desse percurso. Trabalhamos na direção da assunção de um sujeito autor de sua própria história, pertencente ao patrimônio material e imaterial da sociedade e seu contribuinte bem como inventor de novos modos de convivência. A metodologia fundamenta-se na parceria e na corresponsabilidade entre os participantes (alunos, psicólogos e intérpretes), no compartilhamento das vivências e no conhecimento produzido pelo grupo, ordenado numa lógica horizontal de distribuição de conhecimento, tarefas, experiências. As oficinas formam um espaço de conversa e criação para acompanhar processos que tragam novas questões e reflexões sobre esse momento de decisões. Usamos dinâmicas de grupo, filmes, livros, entrevistas, pesquisas de diversas mídias, passeios, dispositivos que ponham em circulação os processos de escolhas. As oficinas abordam três temas: Quem sou, O mundo em que vivo e Eu com o Mundo. Ao fim, reafirmamos nossa aposta metodológica por sua sintonia com o projeto pedagógico do INES de ampliar cada vez mais a relação do aluno surdo com o mundo, contribuindo para reinventá-lo para todos.


Palavras-chave


Escolhas profissionais; Oficina; Jovens Surdos; Intérpretes; Psicólogas.

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Referências


BARNES, C. Deficiência, trabalho e proteção social: aplicação do modelo social. In: FONTES, F. e Martins, B. S. (Orgs.) Deficiência e emancipação Social: Para uma crise da normalidade. Edições Almedina: Lisboa, 2016.

INES. Instituto Nacional de Educação de Surdos. Projeto Político Pedagógico do Colégio de Aplicação, 2011.




DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.528

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