Acessibilidade x Acessíveis

Diego Santos

Resumo


Ao longo dos anos, o INES vem recebendo diversos tipos de alunos, que inicialmente apresentavam somente aspectos relacionados à área da surdez. Hoje, é notório que estamos caminhando para ser um lugar de amplitude que vai além da surdez, onde múltiplos comprometimentos têm surgido como demanda para o Instituto. Juntamente com estas demandas é necessário que haja uma adequação tanto no âmbito profissional quanto na estruturação dos espaços físicos, afim de receber e realizar um trabalho eficiente e de qualidade com esses discentes. Pensando nisso, este relato tem a intenção de provocar uma reflexão sobre como estamos recebendo esses alunos e como podemos melhorar essa assistência, mesmo quando não possuímos tais recursos no dia a dia. Enquanto professor de Educação Física, tenho observado e acompanhado o aluno RVFD em uma das turmas do segundo ano do SEF1, onde o mesmo chamou a atenção por apresentar, além de surdez e paralisia cerebral, o fato de ser o único cadeirante do setor nesse ano. Isso resultou em muitas adaptações e questionamentos acerca da acessibilidade, mediação, na abordagem desse aluno, sobretudo na sua inclusão e socialização com os demais alunos e profissionais. Principalmente por ser o único a utilizar uma cadeira de rodas, não somente em sala de aula mas em todos os espaços da unidade escolar, tais como pátio, banheiro, auditório, biblioteca, campo, piscina, refeitório etc. Um dado importante é a estimativa de que o número de portadores de deficiência no Brasil corresponde a cerca de 15% da população, ou seja, em torno de 25 milhões de pessoas, das quais grande parte necessita de cadeira de rodas para locomoção. Acredito que quando pensamos em acessibilidade, precisamos primeiramente estar “acessíveis” para modificações, livres de preconceitos, abertos a quebras de paradigmas, dispostos a flexibilizações etc. E precisamos não apenas aceitar uma legislação que garanta direitos, que estão ali para serem cumpridos. Mas principalmente compreender a importância do seu papel nesse processo, entendendo que se não ocorrer um acolhimento humanizado, dificilmente o resultado desse trabalho com o aluno será relevante, transformador e significativo para sua construção enquanto indivíduo, contribuindo para sua inserção social e para o pertencimento à sua cultura.


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Referências


BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 2000. Disponível em:

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DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.529

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ISSN Impresso: 1518-2509
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