A construção do conhecimento geográfico com alunos surdos nos anos iniciais do ensino fundamental

Thabata Oliveira, Celeste Kelman

Resumo


Este trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa de doutorado, em andamento, no Serviço de Ensino Fundamental 1 do Instituto Nacional de Educação de Surdos (SEF 1/INES). A pesquisa tem como objetivo geral compreender as particularidades e inter-relações que envolvem a construção do conhecimento geográfico com alunos surdos no primeiro segmento do Ensino Fundamental. Enquanto objetivos específicos da pesquisa, definimos: a) analisar o desenvolvimento dos alunos surdos na construção de conceitos geográficos, que abarca sua percepção acerca do espaço; investigar a função da língua de sinais e da semiose imagética no processo de construção de conhecimento desses estudantes; analisar, discutir e desenvolver metodologias e práticas que possam atender às especificidades do aprendizado de Geografia nessa etapa de escolarização. A base teórica da pesquisa pauta-se na teoria histórico-cultural de Vygotski, uma vez que por meio dela compreendemos as relações que envolvem o desenvolvimento humano e a aprendizagem, em particular da pessoa surda. Também nos aproximamos de autores que discutem o ensino de Geografia,  especialmente nos anos iniciais (CALLAI, 2005, 2014; CAVALCANTI, 2008; GONÇALVES; LOPES, 2008; LOPES; GONÇALVES; LIMA, 2015). Dialogamos ainda com as reflexões do campo da Geografia da Infância (LOPES; VASCONCELOS, 2006; LOPES, 2012; 2013), uma vez considerada que a construção de conhecimento na escola compreende as relações e percepções que as crianças desenvolvem com/no espaço. Para realização desta investigação, baseamo-nos em uma metodologia de abordagem qualitativa, do tipo pesquisa- ação (THIOLLENT, 2011). Os procedimentos para a construção das informações foram a observação de aulas do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental, totalizando um acompanhamento de 90 h/a; a participação no grupo focal com sete professores do SEF – 1 responsáveis por ministrar aulas de Geografia no ano de 2017; e a realização da Oficina de Geografia com duas turmas do 5º ano, durante os meses de março a agosto de 2018. A análise dos dados gerados pelas observações aponta que os alunos menores, ainda em processo de aquisição da Libras, utilizam-se da corporeidade na elaboração de relatos acerca de suas vivências no espaço. Também constatamos que as imagens, em um contexto de ausência de vocabulário para se referenciar a locais e lugares, atuam como importantes meios semióticos que suscitam narrativas dos alunos surdos sobre suas experiências socioespaciais. Outro aspecto por nós observado foram as relações dos alunos com os objetos da cartografia tradicional. Concluímos que tais relações são muitas vezes (não) construídas, pois exige-se o entendimento de um mapa organizado na segunda língua desses estudantes. Deste modo, inferimos que a visualidade resguardada nos objetos cartográficos não implica necessariamente em fácil apropriação desse sistema sígnico pelos alunos surdos. A identificação de lugares em um mapa por crianças surdas revela-se um processo complexo que irá depender, entre outros fatores, do léxico que o aluno já adquiriu em português.


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DOI: http://dx.doi.org/10.20395/fb.v0i38.543

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